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sábado, 2 de maio de 2009

Dilma Roussef: a resposta

A carta da ministra Dilma Roussef [Casa Civil] ao jornal Folha de S. Paulo é mais um capítulo no caso da matéria "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto" [5/4/2009]. Veja a íntegra da carta da ministra no Observatório da Imprensa.
O fato é que as informações divulgadas pelo jornal estão ficando cada vez mais difíceis de se sustentarem. Primeiro foi o professor Antonio Roberto Espinosa negando que havia dito o que o jornal publicou, isto é, que a ministra Dilma sabia do plano para sequestrar Delfim [ação que nunca se realizou].
Espinosa era dirigente da VAR-Palmares no período da ditadura miliar - e a base para a matéria foram suas declarações. O professor desafiou o jornal a publicar a íntegra da entrevista, o que a Folha não aceitou fazer. Agora, a carta da ministra [também não publicada] apontando como falsa uma ficha criminal, divulgada como sendo dela, na primeira página do jornal.
Em matéria na edição de 25/4/2009 [aqui, para assinantes], a Folha reconhece que errou ao informar que a origem da ficha era o Dops [foi recebida por e-mail] e que errara também ao "tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada [grifei]". Até onde se sabe, quase tudo pode entrar nessa categoria de não poder ser "descartado", é só fazer um teste: "Ele é um marido fiel, mas a infidelidade não pode ser descartada"; "Ele é um homem honesto, mas não se pode descartar que ele venha a praticar alguma ilegalidade"; "Ele é um bom jogador, mas não pode ser descartada a possiblidade dele vir a se tornar um grosso", e assim vai. É uma estranha maneira de reconhecer um erro que parece tão evidente.
Obviamente, todo jornal pode cometer equívocos. Quando acontece isso, o melhor a fazer é reconhecer o erro sem subterfúgios; a credibilidade sai muito menos arranhada do que tentar econdê-lo por jogo de palavras.
Tratei do mesmo assunto em outras duas postagens, aqui e aqui.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

New Yorker sob processo de 10 milhões de dólares

Integrantes de tribo da Nova Guiné movem ação de US$ 10 milhões contra revista americana New Yorker, devido a uma reportagem publicada em 2008, sob o título "Vengeance ours" (A vingança é nossa), do geógrafo ganhador de prêmio Pulitzer Jared Diamond. O Pulitzer é o mais prestigiado prêmio do jornalismo americano. Na matéria, Jared descreve brigas familiares intertribais que ocorreram durante décadas nas montanhas da Nova Guiné. Agora, Daniel Wemp, membro do clã Handa, está processando a revista, pedindo 10 milhões de dólares de indenização. Ele afirma que a reportagem acusava falsamente ele e um colega da tribo de "séria atividade criminal e assassinato". Wemp é apoiado pelo StinkyJournalism.org, projeto sobre a ética da mídia, com sede em Nova Yor. A New Yorker disse que apóia a reportagem de Diamond. Do blog do Knight Center for Journalism.