domingo, 12 de abril de 2009

Conselhos a um jornalista

Fim de semana prolongado, etc., voltei ao livro Conselhos a um jornalista, de Voltaire. O texto é de 1737, mas quão atuais são alguns dos conselhos. Há muitos jornalistas que precisam ouvi-los:

"Se imparcial. Tens ciência e gosto; se além disso fores justo, predigo-te um sucesso duradouro" [Sobre como seria um jornal "que agrade o nosso século e a posteridade".]

"Tudo pode entrar na tua espécie de jornal, mesmo uma canção bem feita; nada desdenhes."

"Aconselho-te sobretudo, ao incluíres escritos de filosofia, que exponha primeiramente ao leitor uma espécie de síntese histórica das opiniões propostas ou das verdades estabelecidas."

"Nunca empregues uma palavra nova, a não ser que ela tenha estas três qualidades: ser necessária, inteligível e sonora. Ideias novas, principalmente em física, exigem expressões novas; mas substituir uma palavra usual por outro palavra cujo único mérito é novidade não é enriquecer a língua, mas aviltá-la." [Se Voltaire fosse nosso contemporâneo, e brasileiro, suspeito que ele substituiria "palavra nova" por "palavra estrangeira".]

"[...] Quer-se embelezar matérias um pouco áridas, mas parece-me que todas as pessoas honradas preferem cem vezes um homem grave, mas sábio, a um mau gracejador." [Me atrevo a dizer que se Voltaire escrevesse hoje, ele dirigiria a admoestação àqueles que decretam a "morte do lide", mas não sabem escrever uma matéria com começo, meio e fim.]

"Por exemplo, nada é mais comum nas gazetas que esta frase: Ficamos sabendo que os sitiadores teriam em tal dia batido em retirada; dizem que dois exércitos teriam se aproximado; em vez de: os dois exércitos se aproximaram, os sitiadores bateram em retirada, etc."

"Esse estilo gótico dos éditos e das leis é como uma cerimonia na qual usamos roupas antigas; mas não devemos usá-las em outros lugares. Seria muito melhor, até, se fizessem leis, que são feitas para ser facilmente entendidas, falar a linguagem comum. [...] Os escritores devem evitar esse abuso, praticado por todas as gazetas estrangeiras. Devem imitar o estilo da Gazeta impressa em Paris: ao menos ela diz corretamente coisas úteis."

Comprei o livro [editora Martins Fontes] há dois anos, na Fnac, naquela espécie de bacia das almas que eles põem os livros em liquidação. Eu olho sempre, no meio do cascalho sempre se descobre uma pepita.

2 comentários:

  1. Encontrei o blog procurando Voltaire. Até mais.

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  2. Estefan (Estudante)16 de março de 2010 01:15

    Olá amigo, Fiquei interessado pelo livro, numa liquidação da submarino, pena não ter nenhuma descrição dele no site, ao pesquisar encontrei seu post, nos quais me interessou muito os trechos colocados.

    o livro está a 9,90 no site ..
    abraços

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